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Mar 09

A freguesia do Biscainho, concelho de Coruche, é o local ideal para quem procura viver na pacatez do campo, rodeado de arvoredo e próximo do rio Sorraia. Situada a 18 quilómetros da sede de concelho, tem na falta de saneamento básico e alcatroamento das ruas as suas maiores lacunas. A agricultura ainda é a principal actividade da população.

 

Chegar ao Biscainho é sinónimo de atravessar longas áreas de com montado de sobro, ambiente característico do concelho de Coruche. Seja por Coruche ou Salvaterra de Magos, onde curiosamente não existe indicação toponímica, ou pelo lado de Benavente.

A freguesia compreende uma área de 77 quilómetros quadrados, criada em 31 de Dezembro de 1984. Courelas da Amoreirinha e Vale Boi são os dois principais lugares a seguir à sede.

O nome da freguesia nunca foi cabalmente explicado. Há escritos que referem estar ligado à designação de um antigo mosquete (arma de fogo). Outros falam na estadia no local de um fidalgo oriundo da Biscaia na altura em que o nosso país esteve sob o domínio dos reis de Espanha. Há também quem lembre que a palavra é sinónimo de pessoa travessa e intriguista. Uma das múltiplas versões liga o nome à existência na região de uma espécie de abelhas, as biscainhas.

No Biscainho, a agricultura é a principal actividade, seguida da criação de gado. É também de realçar a apicultura e a exploração da floresta. Segundo o Censos de 2001, o Biscainho tem 1120 habitantes. O comércio local possui pouca expressão, com apenas quatro café-restaurantes e mais algumas lojas à beira da Estrada Municipal 515.

A falta de saneamento básico é o principal problema da freguesia, onde ainda imperam as fossas sépticas. Uma situação complicada como refere o presidente da Junta de Freguesia, Joaquim Paulino. “Temos um povoamento disperso que dificulta e onera a colocação do saneamento mas deve ser encontrada uma solução, como a criação de fossas centrais.”.

As estradas de acesso à freguesia são razoáveis mas as do núcleo da localidade necessitam do arranjo que já não têm há quatro anos.”Durante este mandato não se alcatroaram estradas nesta freguesia. Ainda temos mais de metade delas em mau estado” recorda, reconhecendo que o diálogo com a Câmara de Coruche não tem sido fácil.

O envelhecimento da população já foi um problema maior. Nos últimos anos nasceram muitas crianças o que está a inverter aquela tendência. Os naturais da terra fazem ali as suas casas mesmo quando trabalham fora. E há pessoas de outros locais, principalmente de cidades, que se vão fixando à procura de sossego e de qualidade de vida. Lisboa fica a 40 minutos.

A escola básica é frequentada por meia centena de crianças e o jardim-de-infância está lotado. Curiosamente o Centro de dia, construído há um ano, está muito longe de esgotar a sua capacidade.

A saúde da freguesia já teve melhores dias mas ainda conta com um clínico a fazer atendimento três vezes por semana, quando anteriormente o serviço era diário. Chegou mesmo a haver um abaixo-assinado com 800 nomes para repor a situação.

Na junta de freguesia funcionam diversos serviços. A junta recebe as receitas de medicamentos e faz as encomendas por fax. É também ali que funciona o posto dos correios e onde podem ser pagas as facturas de água, luz e telefone. Às sextas-feiras há uma consulta de aconselhamento jurídico.

O centro social, vendido pela Câmara de Coruche à sua congénere de Benavente, está agora sob controlo da associação de Foros da Charneca, localidade fronteiriça com o Biscainho. Situação que motivou protestos de Joaquim Paulino e das associações locais que agora se têm de sujeitar aos horários estabelecidos pelos seus vizinho, como sucede com o rancho folclórico.

O mesmo acontece em relação aos transportes públicos que apenas seguem os horários escolares, às sete e às 18 horas, deixando a restante população à mercê de boleias ou de carros dos taxis.

Apesar de pequena em população a freguesia é rica em vida associativa. A Associação Cultural e Recreativa do Biscainho, o Atlético Clube do Biscainho, os caçadores do Clube Tira Chumbo e do Clube de Caçadores e Pescadores, além do Rancho Folclórico Infantil do Biscainho são as colectividade da terra.

O rancho folclórico movimenta muitas pessoas, especialmente jovens. Conta com 13 pares, três acordeonistas, uma cantadeira e vários tocadores dos tradicionais ferrinhos, cana rachada, bilha, castanholas, etc.

As herdades da Torrinha, dos Fidalgos e da Raposeira, onde se faz criação de gado, são alguns dos locais a visitar, a par da igreja matriz de S. João de Deus, um dos poucos sinais visíveis de património.

As festas da freguesia voltaram a ganhar vida após alguns anos de ausência e têm-se realizado nos últimos sete anos, sem falhas. São na altura do S. João, a 24 de Junho. Há sempre uma actuação do rancho folclórico, vêm artistas convidados, realiza-se um torneio de malha e uma vacada.

Fonte do post : texto em www.omirante.pt, por Ricardo Carreira (2005) 

publicado por sorraia.blog às 23:44

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