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Mai 05
GNR espera skins

Vila de Coruche, ontem à tarde. Os efectivos locais da GNR, em caso de confrontos, serão reforçados pelo batalhão Operacional
Um grupo de ‘skinheads’ (cabeças -rapadas) da Grande Lisboa está mobilizado para avançar sobre Coruche com o objectivo de expulsar a comunidade cigana da vila de Coruche – informação recolhida por Núcleos de Investigação Criminal da GNR.






O Batalhão Operacional, unidade de elite a que pertenceram os militares que estiveram no Iraque, foi colocado em estado de alerta por ordem do Comando-Geral da Guarda .

As primeiras informações sobre as intencões dos ‘skins’ começaram a ser tratadas pela GNR ontem à tarde. Investigadores recolheram indícios de que o local da reunião dos cabeças-rapadas será na zona de Alvalade, em Lisboa – e daqui marcham para Ourique.

“Este grupo junta ‘skins’ um pouco de toda a Grande Lisboa. Quando viram a transmissão dos distúrbios de Coruche em directo na televisão, de imediato se mobilizaram contra os ciganos”, disse ao CM uma fonte policial.

As preocupações da GNR não se ficam por aqui. As duas noites consecutivas de distúrbios no centro de Coruche criaram nas comunidades ciganas locais um sentimento ainda maior de revolta. Convictos de que estão a ser vítimas de racismo, os ciganos de Coruche pediram a ajuda a familiares de toda a zona de Santarém.

A resposta não se fez esperar. Segundo fonte da GNR, pelo menos 30 homens ter-se-ão mostrado disponíveis e muitos deles já devem estar em Coruche. “São pessoas com fácil acesso a armas de fogo e a armas brancas”, acrescentou o mesmo informador.

Perante este cenário, a GNR apostou na prevenção. Acusada de pouco ou nada ter feito para conter os distúrbios das noites de quarta e quinta-feira, no centro de Coruche, e do qual resultaram dois feridos, o Comando-Geral da Guarda Nacional Republicana colocou em estado de alerta o Batalhão Operacional (BOP) do Regimento de Infantaria aquartelado em Santa Bárbara, em Lisboa.

Ao princípio da noite de ontem, duas Secções do Batalhão Operacional, compostas cada uma por 32 militares especializados na manutenção da ordem pública, foram enviadas para Coruche.

Segundo fonte da GNR, uma destas equipas foi destacada para manter a segurança de uma operação de fiscalização rodoviária nas estradas de acesso à vila de Coruche – precisamente com o objectivo de barrar o caminho aos cabeças-rapadas. A outra secção do BOP manteve-se de prevenção.

Ainda por decisão do Comando-Geral da Guarda Nacional Republicana, mais um pelotão de 32 militares do Batalhão Operacional vai manter-se em alerta estacionado na sede do Regimento de Infantaria, em Lisboa, durante todo o fim-de-semana, pronto a intervir em Coruche, a cerca de 45 minutos da capital.


'SENTI PICADA E VI A MÃO COM SANGUE'

Júlio Arrais, vereador da Câmara Municipal de Coruche, foi uma das vítimas dos confrontos ocorridos, anteontem à noite, durante a vigília de comerciantes na vila. “Vi uma mulher a abanar uma árvore e quando a tentei demover, senti uma picada na mão e vi que tinha sangue”, contou ao CM o vereador do urbanismo. De acordo com Júlio Arrais, a ferimento, ligeiro, foi um golpe de faca, desferido por um homem cigano. “Se for necessário, consigo identificá-lo”, garante o vereador.

'A POPULAÇÃO SENTE-SE AMEAÇADA E INSEGURA'

Dionísio Mendes, presidente da Câmara Municipal de Coruche, diz que os dezoito guardas do posto da GNR não são suficientes para a dimensão do concelho.

Correio da Manh㠖 A tensão dos últimos dias é um fenómeno recente?

Dionísio Mendes – Não. A situação já tem alguns anos. Este ataque fez explodir o que estava latente. A população está indignada, sente-se ameaçada e insegura. O que os habitantes querem é mais meios para a GNR, de modo a que seja possível evitar os problemas.

– A comunidade cigana de Coruche é a culpada?

– O que se nota é que quando há conflitos, distúrbios e outros problemas, não há meios para patrulhar em Coruche. E grande parte dessas situações tem origem em membros da comunidade cigana, que tem cerca de meio milhar de pessoas. Os habitantes querem mais segurança. A GNR, quando consegue responder às situações, não tem capacidade para as controlar. É absolutamente necessário um reforço de meios.

– Quantos guardas prestam serviço em Coruche?

– A GNR de Coruche tem 18 militares para num concelho com 1170 quilómetros quadrados, onde moram perto de 21500 pessoas.

– Já pediu esses meios?

– Várias vezes. Há um ano, reuni-me com o comandante-geral da GNR. Expliquei os problemas, a insegurança, o sentimento das pessoas. Na altura, foi-me dito que era difícil por causa do Euro’2004. Mas o Euro passou e ainda não se fez nada. O posto da GNR só pode ter uma patrulha na rua.

– A situação pode agravar-se?

– Estou convencido de que o pior já passou. Não quero sequer pensar o contrário.

( In Correio da Manhã - sábado,21,Maio )
publicado por sorraia.blog às 03:45

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