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Jun 05
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«Criminalidade dos gangs aumentou mais de 400% nos últimos 7 anos»
Apelamos a todos, independentemente da sua ideologia ou filiação partidária, que querem mais justiça, mais liberdade, e um efectivo combate à criminalidade, nas suas raízes e origens, para se juntarem à manifestação do próximo dia 18 de Junho, Sábado, em Lisboa!
Não pense apenas no seu umbigo, os problemas locais são os problemas de todos os portugueses.

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( Posted by FN )
publicado por sorraia.blog às 00:14

«A ideia politicamente correcta de que não se deve nomear a cor, nacionalidade (no caso de imigrantes) ou qualquer outro pormenor que possa ser considerado racista, sexista ou xenófobo, nas notícias dos crimes, é só e apenas isso: politicamente correcta. Na prática, censura-nos uma informação que devíamos ter: a relação entre a criminalidade e os factores sociais e culturais onde ela encontra raízes. Nos crimes não há (não deve haver) desresponsabilização individual por razões "sociais" e muito menos "explicações" colectivas que desvalorizem o acto criminoso, e é insensato pensar que não há "meios" de cultura favoráveis que incluem hoje a cor da pele, a idade, os padrões de consumo "cultural", e o "ambiente", a ecologia dos sítios. É verdade para os lavradores que matam por águas e marcos do terreno, para os perdidos do mundo dos escritórios e da função pública que matam por ciúmes; para os mil e um "espertos" de todas as economias fora do fisco, sempre na linha entre a corrupção activa e passiva; para os ciganos, eternos vendedores e compradores de tudo o que se compra e vende; para as máfias da imigração, que exportam métodos expeditos de "protecção" e punição; e para os desenraízados violentos dos subúrbios negros e, a prazo, islâmicos.

As recentes mortes de polícias não foram obra de "bandos de pretos", mas uniram no assassinato duas realidades do crime: a nova criminalidade violenta e agressiva dos bandos negros de segunda geração, ou seja, portugueses filhos da primeira geração de imigrantes das nossas antigas colónias de África, e o submundo da "noite" do subúrbio, bares, casas de alterne, prostituição, tráfico de tudo, drogas e armas, economia paralela, ainda dominantemente caucasiano branco, ainda dominantemente português, embora a nova imigração de leste lhe dê um braço armado mais pesado.

Em ambos os casos as explicações "sociais" são mais que conhecidas, em particular para a nova criminalidade violenta ligada a grupos de jovens negros: vida de gueto, segunda geração sem a vontade de integração dos pais, sem a subserviência da emigração que veio da miséria absoluta e aceitava tudo, sentindo o racismo da sociedade branca como ninguém e respondendo-lhe com uma procura de identidade no crime e na violência. Muito centro comercial, muito filme americano, muito rap, muito jogo de vídeo, nenhuma escolarização, e, na cabeça, a violência como afirmação de força e identidade. É um problema sério cuja versão light se encontra todos os dias nos bandos que habitam o Colombo e outros centros comerciais, ou em que míudos assaltam míudos à porta de tudo o que é escola.

Depois há os grandes negócios clandestinos de sempre, a prostituição, a droga, as armas (este em crescendo), e todo um mundo de oportunidades na "indústria da noite", a dos ricos e a dos pobres. Uma nova riqueza consumista, dinheiro mal ganho por todo o lado, no "estado social", na economia clandestina da construção cívil, nos jeitos e "biscates", nas lojas que nascem e desaparecem sem que ninguém as perceba, na lavagem de muito dinheiro, tudo isto atrai uma competição sem tréguas, onde habitam personagens não muito distintas das da Quinta das Celebridades, quer as vindas de Cascais quer as da Brandoa.

Aqui Portugal mudou, e muito, e precisa de o compreender sem ser aos sobressaltos televisivos de cada crime. Precisa de outros polícias, outros magistrados e, num ou noutro caso, de novos procedimentos adoptados a uma realidade mais cruel. Mas precisa também de outras escolas e outros subúrbios, porque estes, feitos pela ilegalidade consentida de autarcas e governantes, vieram do crime e da pobreza e perpetuam o crime e a insegurança.»

E, pronto, falou o Pacheco Pereira do Sistema e está tudo bem, mas se um texto com este tipo de conteúdo fosse publicado por um nacionalista imaginamos o coro dos sempre tolerantes e democráticos a exigir perseguições, investigações, processos e ilegalizações.

[ José Pacheco Pereira
In "Sábado" nº 47, 31 de Março de 2005 ]
publicado por sorraia.blog às 00:11

turquia.jpgA adesão da Turquia à União Europeia é uma construção artificial. Não haveria qualquer problema nisso, se não fosse uma mistificação politicamente correcta. Só conta com um apoiante entusiasta e inequívoco: os Estados Unidos. Deveria ser suficiente para ficarmos desconfiados. Mas não ficamos. Ontem, os líderes europeus marcaram a data oficial para o início das negociações.

Com frases ocas e frases de circunstância - «momento histórico». Sem grandes explicações nem fundamentos.

Sucede que a adesão é demasiado complexa para tantas certezas. Nos partidos portugueses há consenso. Cheira a ligeireza. A Turquia quer entrar e os EUA querem que a Turquia entre. A Europa inventa desculpas para a receber.

A primeira é ser um Estado laico. Ou seja, exige-se da Turquia o que não se pede a nenhum dos países europeus. A Europa não é laica e a Irlanda, a Áustria e o próprio Reino Unido provam isso.

Ouvem-se outros argumentos. Que assim se evita o confronto civilizacional entre o Islão e o Ocidente. Que ajuda a resolver a decadência demográfica europeia, com mão-de-obra barata a financiar mais uma geração de reformados.

Também se evocam causas históricas: a presença turca na Europa é secular, logo a Turquia moldou a cultura europeia. Acrescentam-se razões geoestratégicas: a Turquia integra o Conselho da Europa e é sobretudo membro da NATO.

Quem não adere a esta apologia, quem não a aceita, apanha com um rótulo certo: é racista. Fugindo à principal das discussões: a Turquia não é um país europeu.

O império turco estendeu-se, de facto e por séculos, ao centro da Europa. Mas também teve presença nos países árabes e por muito mais tempo. A Turquia não vai aderir à Liga Árabe. Até porque os árabes detestam os turcos e por razões conhecidas e justificadas.

Assim é de equacionar o confronto de civilizações com o Islão. O Islão não é uniforme. O Islão turco sempre foi outra coisa, distinta do Islão árabe. Integrar a Turquia afasta árabes e persas. Por outras razões, também afasta a Rússia da União.

A questão demográfica também é complicada. E não é preciso ver a Turquia como país da UE para perceber isso, pois basta lembrar as dificuldades étnicas, sociais e religiosas que a França enfrenta para integrar 6% da população árabe. Será que a Europa conseguirá, dentro de duas décadas, absorver 25% de população turca? Não sabemos.

As razões geoestratégicas, ou são ridículas, ou autoanulam-se. É ridículo, por exemplo, aceitar o Canadá na UE só porque é um país da Nato. Tal como seria estranho expulsar a Irlanda da União porque não pertence à Aliança Militar. E anulam-se a si próprias, por serem exactamente essas as motivações do EUA para verem a Turquia na UE.

A política dos EUA na Turquia é simples: financia militares e políticos. Os apoios sociais e o esforço de coesão, com menor «payback», que fiquem para a União.

E a política dos EUA para a Europa é conhecida: evitar a união política e a unidade económica. Isso é conseguido com a diluição da nossa identidade cultural e étnica. [ Sérgio Figueiredo, Jornal de Negócios, 17/12/2004 ]

«O mundo islâmico, nomeadamente os extremistas islâmicos, vão congratular-se com a adesão da Turquia. É o seu cavalo de Tróia». [ Kadhafi ]

«Os minaretes são as nossas baionetas, as cúpulas as nossas couraças, as mesquitas os nossos quartéis e os crentes os nossos soldados». [ Recep Erdogan, Primeiro Ministro Turco, Islamista moderado ]

«O problema não é económico e, se calhar, nem tanto político. É de cultura. Uma vez abrindo negociações com a Turquia, qual o critério para não o fazer com todos os países do Mediterrâneo?» [ Ernâni Lopes em entrevista ao Semanário Expresso ]

[ Mohamed VI, Rei de Marrocos ] pediu auxílio a Espanha para entrar na União Europeia. «O precedente já existe: Turquia, com o triplo da população de Marrocos e mais afastada do centro da Europa.»
publicado por sorraia.blog às 00:08

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